Thiago Abreu
Por uma democracia que acolhe a diversidade: a relevância da luta LGBTI+
Thiago Abreu
Professor, coordenador municipal da Aliança Nacional LGBTI+ em Pelotas, vice-coordenador da Articulação Nacional de Jovens LGBTs e secretário nacional adjunto do LGBT Socialista do PSB
thiagoferreiraabreuu@gmail.com
Ao celebrarmos o Dia Internacional do Orgulho LGBT, em 28 de junho, ressaltamos que não se trata apenas de uma celebração direcionada à comunidade LGBTI+. As paradas ocorridas Brasil afora atestam que esse é um evento que engloba a diversidade de expressões individuais e coletivas, reafirmando que uma verdadeira democracia abarca a livre expressão de gênero e sexualidade.
A campanha política de Bolsonaro em 2018, marcada por inverdades como a "mamadeira de piroca" e a propalada "sexualização de crianças", causou profunda consternação. Desinformação e medo foram usados como armas políticas, reforçando a homofobia e transfobia estruturais em nossa sociedade.
Nesse sentido, o combate à LGBTfobia deve começar na sala dos professores e nas salas de aula, espaço de formação de opiniões e atitudes. Infelizmente, direitos fundamentais, como o casamento igualitário e a criminalização da homofobia e da transfobia, foram alcançados principalmente por vias judiciais, apesar de o Congresso Nacional ser o verdadeiro representante do povo brasileiro.
Após avanços significativos e conquistas como o direito ao casamento civil, a criminalização da violência homotransfóbica e a permissão para a retificação de gênero, e a doação de sangue por homossexuais, nos vemos novamente diante do temor do obscurantismo e da mentalidade reacionária. Isso fica evidente quando vemos declarações como a de um pastor evangélico, que, durante a Parada de São Paulo, proclamou: "Deus odeia o orgulho".
A fim de avançar na inclusão, é crucial formar um grupo de trabalho envolvendo ministérios, secretarias de educação estaduais e municipais e a sociedade civil LGBTI+, e principalmente construir aparelhos nos municípios para acolher e principalmente operar a política pública, algo que infelizmente na administração municipal ainda é ausente. Embora seja um trabalho árduo e de longo prazo, é necessário manter a esperança viva, como nos ensinou Paulo Freire.
Recentemente, a narrativa conservadora evoluiu. Agora, as acusações se voltam para alegar que pessoas LGBTs querem atacar e sexualizar crianças, o que é totalmente inverídico. Não podemos permitir a propagação de tais falsidades, que apenas servem para atacar a cidadania e a dignidade daqueles que já se encontram à margem da sociedade.
Reafirmo: é irrelevante seu gênero, orientação sexual, desejos eróticos, definição de prazer ou a maneira como você vive a sua identidade. O que é crucial é reconhecer que quando direitos são negados a alguém com base em sua identidade de gênero e sexualidade, a democracia como um todo é enfraquecida.
Nesse contexto, é imprescindível ressaltar que os direitos das pessoas LGBTI+ não são negociáveis. Eles são direitos humanos e, como tais, inalienáveis. A luta da comunidade LGBTI+ não busca apenas a tolerância, mas a igualdade, a liberdade e a justiça _ valores fundamentais para a existência de uma verdadeira democracia. Neste cenário, os direitos de cada indivíduo, incluindo os da comunidade LGBTI+, não são uma opção - são um requisito essencial.
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